Em novembro de 2010, a minha Cia Teatro Urgente apresentou no Theatro Carlos Gomes, o resultado da Bolsa Residência em Artes Cênicas que recebi da Secretaria de Estado da Cultura do ES, por meio de Edital.
Uma homenagem a Magno Godoy, precursor da dança contemporânea capixaba com sua, “nossa”, emblemática Cia. Neo-Iaô de Dança. Resolvi retomar a primeira coreografia do Magno, “Stultifera Navis” (a nau dos loucos) de 1986. Coreografia essa que projetou a Companhia após apresentação na Oficina Internacional de Dança Contemporânea, no Teatro Castro Alves em Salvador, nesse mesmo ano de 1986.
Magno e eu trabalhamos de 1980 a 2001, com apresentações no Brasil e exterior, e trabalhos registrados em vídeo. Um deles, o mais significativo, “Via Sacra” (gravado em Tiwanaku-Bolívia, Ouro Preto e Brasília) está sendo restaurado. 2 min 30 já foram editados e incluídos no solo “Admirando Magno Godoy”, que abre o programa de "Stultifera Navis", onde eu contraceno com a imagem do Magno, que interpreta um sacerdote templário.Em 1986 nós vimos o mestre da dança butoh, Kazuo Ohno, em sua apresentação lendária em São Paulo. Na mesma época estávamos investigando linguagem cênica e a identificação com o mestre japonês foi catártica. Vimos “Admirando La Argentina”, solo de Kazuo Ohno em que homenageia uma dançarina que foi referência em sua dança.
Prometi ao Magno que faria um solo, “parodiando” o solo de Kazuo Ohno, quando ele não estivesse mais fisicamente por aqui. Sinto sua presença sempre em minhas apresentações, quando estou em casa criando, ou nos ensaios. Algum filósofo disse: ...”nós somos o resultado de várias mortes”.
E enquanto eu estiver vivo, Magno será sempre lembrado, não só por fotografia ou vídeo, mas no momento exato da cena, no palco, onde a repercussão do que aprendemos e exercitamos juntos, evolui e revela-se.
Magno deu a última entrevista para a TV Educativa e falou de reconhecimento. Não de sucesso, mas de poder sobreviver de sua arte, dignamente. Ele tentou de tudo!
Seu nome consta da Enciclopédia da Dança Universal de Eliana Caminada. É citado também no livro “Butoh: Dança Veredas d´alma” de Maura Baiocchi/ SP ( Maura estudou com Kazuo Ohno no Japão e participou como supervisora desse meu Projeto de Residência ).