EDIÇÃO #4 - Ano I - ISSN 1807-8001
Entrevistas Coutinho e Tragtenberg

Cinema e Arte: Mickey Mouse, Alienação e Escuta

Comunicação: Intimidades do Big Brother


Literatura: Jerusa Pires Ferreira e Nicodemus
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Edson Chagas

O ensaio desta edição é dedicado às mulheres, ou melhor, ao universo feminino – um mundo misterioso e sedutor, mesmo que atrás de barras de ferro. É através de um olhar sutil e atento que segundo a historiadora Nara Santana o fotojornalista Edson Chagas pousa em Mulheres em fotos – um cenário de paz. Chagas não mostra a violência, comum em lugares hostis como um presídio, através de closes e detalhes, ele nos surpreende justamente pela sua ausência. A feminilidade resiste à brutalidade e, ganha contornos, formas, sensualidade, olhares vazios, incrédulos... Confira essa pequena mostra do ensaio fotográfico que Chagas realizou em oito meses de convivência no presídio de mulheres de Tucum.

Queremos ou não, os reality shows estão tomando posse da televisão ocidental, existe de tudo para todos os gostos... casamentos, namoros, games, renovações de caras e casas, freaks, ex-quase-famosos, drogados, magros, gordos, executivos, patricinhas, tudo em nome... de uma suposta realidade, de uma suposta autenticidade de situações e emoções? Ou, tudo em nome da novidade e da audiência? Enquanto nos indagamos esses novos astros televisivos vão tomando conta das revistas, das notícias e dos sonhos de telespectadores ávidos... de um dia encontrá-los ou simplesmente tornassem também instantaneamente em celebridades ricas e famosas... mesmo que efêmeras. A máxima de Andy Warhol – todos um dia terão direito aos seus quinze minutos de fama –, parece estar se tornando “reality”. Nesta edição dois textos se concentram sobre o fenômeno desse novo gênero televisivo, e que ao contrário da fama de seus personagens, não tem nada de efêmero. Soleni Fressato analisa uma mudança no comportamento social brasileiro de “espiar” a privacidade alheia em A intimidade é pública em Big Brother Brasil: reflexões sobre os limites entre o público e o privado. Já a publicitária Jussara Penha Batista questiona como o formato dos reality shows ganhou popularidade. Em A transmissão ao vivo como marca de criação das celebridades instantâneas e do mais genuíno programa televisivo: o reality show, a autora parte de uma das maiores qualidades da televisão para desvendar o segredo do grande sucesso do programa e do fascínio que exerce seus astros instantâneos.

“Se eu fosse famoso pela televisão, eu jamais poderia fazer o que eu faço, porque daí entra numa dinâmica de venda da imagem, de sedução, porque televisão é um negócio de sedução rápida”, diz o documentarista Eduardo Coutinho. “Claro que eu tento seduzir o outro e ele me seduzir, mas eu sou um cara desconhecido pra ele, estamos seduzindo ninguém sabe nem pra quê. O fato de o documentário ser um ato gratuito é que torna a coisa interessante”, completa o cineasta. Nesta terceira e última parte da entrevista inédita concedida as documentaristas Alcimere Piana e Daniele Nantes, Coutinho continua a nos revelar as particularidades do cinema documentário e principalmente a sua relação com seus personagens.

Outra série que chega ao fim é sobre o filme Baseado em Estórias Reais, escrita pelo produtor audiovisual Jaime de Oliveira Martins. Nesta terceira e última parte, ele analisa a censura e a alienação daqueles que ficaram alheios aos desmandos do Regime Militar, mas que mesmo assim não deixaram de sofrer as conseqüências de uma ditadura impiedosa e cruel. Confira a conclusão desta análise em A reportagem censurada como contraponto à alienação ao Regime ditatorial.

 

Quando Maria do Céu Diel de Oliveira ainda vivia e estudava no interior de Minas, se inquietava junto com outros colegas diante das idéias que eles consideravam “pobres” sobre o ensino de arte. A idéia de uma escola que funcionava escutando os alunos parecia coisa revolucionária. Em A Pedagogia da Escuta, a autora resgata a sua experiência sobre o estudo e o ensino da pedagogia de projetos do italiano Loris Malaguzzi que se baseia a partir de três princípios básicos: compartilhamento de saberes e múltiplas linguagens, o pensamento através de projetos e a interação entre criança e adulto.

O ensino de arte nas escolas, principalmente, de música é preocupação também do professor e compositor Lívio Tragtenberg: “A idéia de escola de arte, do jeito que ela está montada na Universidade, não universaliza... ela universatiriza,” diz o músico. Em entrevista exclusiva às pesquisadoras Heloísa de A. Duarte Valente e Teresinha Prada do núcleo de estudos MusiMid, ele fala entre outros assuntos sobre seu novo trabalho: Neurópolis, poucas horas antes de começar a tocar a própria composição de gente que compõe a trilha sonora das ruas de São Paulo.

A digitalização é um caminho sem volta para o cinema, principalmente, em se tratando do cinema de animação. Em Cinema de Animação: de Fantasia (1940) a Fantasia 2000 a professora de artes Telma Valente retraça 60 anos de história da animação e principalmente dos estúdios Disney. Ela faz uma análise atenta e surpreendente sobre as transformações que este cinema sofreu nos últimos anos através das duas versões do filme Fantasia.

Nicodemus Pessoa traz na sua coluna literária Estante Magazine as novidades do mercado editorial brasileiro, confira na seção Literatura juntamente com um texto especial da jornalista e tradutora Suely Fenerich sobre o talento e o maravilhoso trabalho da pesquisadora e professora Jerusa Pires Ferreira. No texto Uma explosão de vida, a autora narra a sua experiência em trabalhar com a professora Jerusa e aponta alguns caminhos de sua incrível capacidade em congregar o erudito e o popular. Com este texto a revista Intermídias junto com o Núcleo Poéticas da Oralidade da PUC-SP dá o pontapé inicial a um dossiê especial dedicado à professora Jerusa Pires Ferreira com resenhas de seus livros, publicação de seus textos, biografia e uma entrevista inédita. Lançamos também uma chamada de textos a todos interessados e admiradores do trabalho da professora que queiram nos enviar suas mensagens ou artigos. O dossiê será lançado no dia 1o. de fevereiro de 2006, aniversário da pesquisadora.

A chamada de textos para edição nr. 5 está no ar, teremos como editora convidada a professora e pesquisadora do audiovisual Gabriela Borges . O tema da edição é as novas tecnologias e o desafio e a busca por novas linguagens. Você pode enviar o seu texto até o próximo dia 15 de setembro. Informações ga.borges@uol.com.br

Boa leitura,
Hudson Moura, 01/09/2005

E-mail: intermidias@gmail.com
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