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Momentos antes do lançamento do filme, eu recebi um e-mail com uma pergunta que me intrigou bastante (talvez pela audácia ou pela obviedade) e não que pude deixar de respondê-lo naquele exato instante. Segue abaixo a mensagem na íntegra. “Gostaria de saber que tipo de segredos você vai mostrar. Tem algo de polêmico? O nome é sugestivo.” O título faz menção muito mais as pessoas que propriamente, ao material. São os personagens que guardam esses segredos... mas, neste caso é preciso pensá-los enquanto arquivos imperfeitos, já que estamos falando da memória, da emoção, da convivência cotidiana que são efêmeros, erráticos, tendenciosos, fabuladores e muitas vezes banais. Tenho certeza que o público vai se surpreender ao assistir o filme, porque ele não se propõe a contemplar aquelas premissas básicas do clássico documentário biográfico. Seria para tanto uma tarefa muito difícil já que Amylton conheceu enquanto crítico cultural inúmeros amores e dissabores, e, atuou ativamente na produção e em todas as áreas da cultura local. A linha
do documentário Os Arquivos Secretos se baseia muito
mais nas pessoas que dão o depoimento do que propriamente no que
elas falam. Nós queremos saber muito mais quem são esses
arquivos do que propriamente o que contém neles sobre o assunto
em si, Amylton.
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É interessante escrever assim pois estou escrevendo/exercitando agora algumas reflexões que antes haviam sido somente esboçadas oralmente. Lembrando que daqui a pouco é o lançamento e eu terei que apresentar o filme. A intriga do filme tenta seguir o melodrama; durante as filmagens do seu primeiro longa de ficção, o crítico adoece e acaba morrendo sem ver o final do filme que estava realizando. Dois meses depois a família descobre cinco cartas escondidas em seus pertences onde ele revela muito do que ele vivia e estava passando no momento. Ele confidencia suas angustias, suas frustrações e principalmente um medo imenso de ficar sozinho. Num tom desesperador esse grito de dor incrível quase que foi negado aos que estavam próximos e que conviviam o seu cotidiano. Amylton foi abandonado pela mãe quando criança e ao longo de sua vida chegou a tentar tirar a própria vida. O mais impressionante e paradoxal é que não parava de produzir, artística e jornalisticamente, vivia rodeado de amigos e inimigos, mas ninguém conseguia dar conta (de entender) daquele que se tornou o maior mito da cultura capixaba da segunda metade do século XX. Acho que
tudo isso, com a força dos depoimentos dos amigos e
parentes, num filme, é a primeira vez que Vitória vai assistir.
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