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O Implícito e o Explícito no Discurso Publicitário Julio Araújo
Como demonstrou Umberto Eco, a linguagem é por natureza de caráter persuasivo "e que todos artifícios retóricos não funcionam apenas no âmbito da linguagem verbal, mas podem ser encontrados também ao nível, por exemplo, das linguagens visuais. Um exame das técnicas comunicativas da publicidade nos mostra que são inúmeras as figuras retóricas clássicas reconstituídas no campo das imagens, onde encontramos habitualmente metonímias, litotes, oxímoros, e assim por diante" (1987:81). Dizer que existe uma descrição semântica lingüística de Y é formular uma hipótese bem precisa sobre a organização a ser dada à descrição de A (Ducrot:1987)."Esta constituição da descrição semântica se constituirá de um conjunto extremamente heterogêneo. Daí a dificuldade recorrente na análise das línguas naturais. Não bastam os conhecimentos habitualmente chamados lingüísticos, (competência para Chomsky), exige-se um certo número de leis de ordem psicológica, sociológica ou lógica, um inventário das figuras de estilo empregadas pela coletividade que fala a língua, com suas condições de aplicação e informações referentes às diferentes utilizações da linguagem nessa mesma comunidade." "Introduzindo uma idéia sob forma de pressuposto, procedo
como se meu interlocutor e eu não pudéssemos deixar de
aceitá-lo. Se o posto é o que afirmo, enquanto locutor,
se o subentendido é o que deixo meu ouvinte concluir, o pressuposto é o
que apresento como pertencendo ao domínio comum das duas personagens
do diálogo, como o objeto de uma cumplicidade fundamental que
liga entre si os participantes do ato de comunicação" (Ducrot
1968:40). Esta constituição da descrição semântica se constituirá de um conjunto extremamente heterogêneo. Daí a dificuldade recorrente na análise das línguas naturais. Não bastam os conhecimentos habitualmente chamados lingüísticos, (competência para Chomsky), exige-se um certo número de leis de ordem psicológica, sociológica ou lógica, um inventário das figuras de estilo empregadas pela coletividade que fala a língua, com suas condições de aplicação e informações referentes às diferentes utilizações da linguagem nessa mesma comunidade. Segundo Ducrot, a interpretação de um ato de fala ou
o significado de um símbolo lingüístico depende de
uma descrição semântica lingüística do
enunciado em dois planos – um do significado lingüístico
semântico-denotativo, componente lingüístico, “atribui
a cada enunciado, independentemente de qualquer contexto, uma certa significação”.
Cabe ao segundo plano, o componente Retórico, no qual pode-se
chegar a uma interpretação, um determinado significado
que é próprio de uma situação enunciativa
efetivamente pertencente àquele contexto. A Análise do
enunciado deve tratar de distinguir dois tipos de efeitos de sentido
e de mostrar que é interessante descrever um deles a partir do
componente lingüístico, enquanto o outro exige a intervenção
do componente retórico. Introduzindo uma idéia sob forma de pressuposto, procedo como
se meu interlocutor e eu não pudéssemos deixar de aceitá-lo.
Se o posto é o que afirmo, enquanto locutor, se o subentendido é o
que deixo meu ouvinte concluir, o pressuposto é o que apresento
como pertencendo ao domínio comum das duas personagens do diálogo,
como o objeto de uma cumplicidade fundamental que liga entre si os participantes
do ato de comunicação (Ducrot 1968:40). - o posto : um nível de primeiro plano, que corresponde
ao que se refere o enunciado. A problemática do implícito compreende as leis do discurso e as regras que governam os intercâmbios discursivos. Apoiando-se nelas e na situação de enunciação, os co-enunciadores conseguem captar uma boa parcela dos conteúdos implícitos, no caso os subentendidos. Em compensação, o outro grande tipo de conteúdos implícitos, os pressupostos, inscreve-se na estrutura do enunciado, independentemente de seus contextos de emprego.
A Retórica atual configura-se em um aglomerado de diversas disciplinas,
como a Lingüística, Semiologia/Semiótica, a Teoria
da Informação e Pragmática que a partir dos anos
60 vem esboçando um perfil moderno para a Retórica Clássica.
Esta nova Retórica vem sendo consolidada por teóricos como
Perrelman e estudiosos do Grupo ?, da Universidade de Liège que
procuram conceituar as interferências da linguagem visual na linguagem
verbal e seus recursos no processo de comunicação. Estes
estudos possibilitam uma interpretação coerente da linguagem
da propaganda e do merchandising como demonstraremos neste artigo. Inventio – designa o conteúdo, a temática, o tópico a ser argumentado. Dispositio – É a maneira de dispor as diferentes parte do discurso; exórdio, narração, descrição, argumentação (confirmação/refutação), trata-se da organização interna do discurso. Elocutio – É a adequação forma/conteúdo, que consiste na construção do estilo, revelando clareza, correção, concisão, adequação e elegância. Actio – É a ação de argumentar, revelando como a persuasão interfere na emoção do auditório por meio de gestos, ritmo, pausa, entonação, timbre de voz, cabendo, portanto, lugar para o não verbal. Memória – Consiste na retenção do material a ser transmitido, a sua coerência interna, o encadeamento lógico das partes e a adaptação das frases a eventuais refutações e improvisações.
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Segundo a classificação proposta por Aristóteles, a Retórica é a
forma disciplinar segundo a qual se organiza um discurso eficaz e persuasivo.
A persuasão é o elemento chave de um discurso, sem o qual não
se pode falar em Retórica, pois o discurso persuasivo é uma constante
da linguagem e comunicação humana.
A análise do discurso aqui adotada tem como referência autores que defendem uma Análise Crítica do Discurso (Pedro:1997) e está fundamentada em critérios teóricos metodológicos de uma Análise do Discurso Textualmente Orientada (Fairclough, s.d). Desse modo, tomamos como objeto de análise um enunciado de um discurso publicitário identificado em um outdoor da região metropolitana da cidade de São Paulo. A mensagem trata-se de um anúncio da doceria Amor aos Pedaços, conhecida pelos consumidores pelos seus doces, bolos e tortas irresistíveis. A configuração do discurso é produzida por meio de um enunciado lingüístico reproduzido em tamanho ampliado e configurado a uma mensagem visual que reproduz uma das guloseimas produzidas pela confeitaria. A mensagem, portanto, constitui-se em sua materialidade de uma representação visual icônica e outra lingüística, realizada pelo seguinte enunciado: “Nenhum homem merece tanto sacrifício” O leitor, ao se deparar com este tipo de mensagem, logo é convidado
a buscar uma interpretação para ela, no entanto, o processo
do discurso, então elaborado, impede uma decodificação
momentânea da mensagem, levando o destinatário a re-elaborar
novamente os processos da mensagem, procurando abstrair seu componente
de significação. Os procedimentos de identificação
da mensagem entram em relação e serão indispensáveis
para uma decodificação que busque ou aproxime-se de uma
verossimilhança. 1 – Há alguém que sacrifica-se pelos
homens. O enunciado do ponto de vista da sintaxe da frase é constituído
de uma afirmativa. No entanto, se considerarmos o caráter persuasivo
do discurso publicitário e a intenção discursiva
ao qual o enunciado está inserido, concluiremos pela presença
do pressuposto que a intenção do locutor foi a de revelar
sutilmente o oposto daquilo que a representação lingüística
da frase revela como uma assertiva. O elemento retórico considerado
leva o leitor a uma interpretação negativa da frase, fazendo-o
reconsiderar a afirmação. Por meio de um processo de raciocínio
lógico, semântico e lingüístico, o posto , aquilo
que é afirmado lingüisticamente, está relacionado
ao pressuposto como parte integrante da constituição e
significação lingüística. Nesse caso, o discurso
publicitário manifestado no enunciado do locutor, camufla intencionalmente
o pressuposto, pois este, ao mesmo tempo que está escondido, revela
um componente retórico com fins persuasivos e que efetivamente
vai ser revelado na análise do subentendido, onde os fatores contextuais
e sócio-culturais revelam o jogo da significação. BIBLIOGRAFIA:
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