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Pedagogia Visual e Educação da Memória
Maria do Céu
Diel de Oliveira
O texto versa sobre minha pesquisa relacionada à pedagogia da
memória e a ars memoriam e seus locais de reminiscência
ou maravilhas. Baseada em estudos retóricos, na Commedia de Dante,
nos estudos de Francis Yeats e Milton José de Almeida, busco relacionar
a origem da arte contemporânea na retórica e não
propriamente nas artes visuais. Para isto, estudei os tratadistas e a
Patrística, encontrando em Santo Agostinho, São Tomas de
Aquino e Santo Ambrósio as origens para uma pedagogia visual,
nascidas em tratados teológicos e mais tarde transportados para
a pintura, arquitetura e gravura.
Para isto, sigo pistas em lugares de reminiscência, na teoria dos
loci de Giordano Bruno. Estes lugares estão em minha pesquisa
situados em diferentes regiões da Itália: Veneza, Padova,
Vicenza e Ravenna ao norte, Napoli, Monreale e Sicília ao Sul,
além de Cagliari, na Sardegna
”
Quando a própria memória perde qualquer lembrança,
como sucede quando nos esquecemos e procuramos lembrar-nos, onde é que,
afinal, a procuramos senão na mesma memória?” Santo
Agostinho, Confissões, L.X, 19.
Para quem leu Dante dele se recorda...
Após ter vencido seu temor e insegurança na floresta escura,
Dante depara-se com o portal do Inferno, encimado pelas terríveis
palavras... Metáfora do desconhecido e sublime, ameaça
e chamado irresistível, Dante ultrapassa o portal e avança,
abençoado pelo guia que emergiu do limbo, Virgílio e esperançoso
de encontrar Beatriz, “donna di virtú sola per cui l’umana
spezie eccede ogne contento di quel ciel c’há minor li cerchi
sui”... (II, 75-77). Porta, arco, portal, entrada, passagem...
palavras-imagens que designam mudanças de estágio, escala,
realidade, oposição e estranhamento... Dante mergulha trazendo
unicamente sua memória e imagens de piedade, rancor, medo e pavor
intensos, de justiça e verdade, palavras estas que serão
seu único elo com o que deixou para trás. Sem isto, não
poderá enfrentar o inferno e vagar pelas suas bolgie. Em cada
passagem, ao encontrar figuras conhecidas da História, mitos e
adversários políticos, traz para junto de si o ar de sua
cidade e com ela a luz, fraca divisória entre o que seu corpo
ora ressente e o que abandonou. Com isto, o enfrentamento torna-se palpável,
pois tem a lembrança viva, seu corpo como depositário da
memória e sensações de um corpo vivo. Aos mortos
do Inferno é dada a possibilidade de rememorar, mas a lembrança é usada
como forma de aumentar a dor e a pena cingidas, quando a comparação
da vida pregressa é acompanhada de um presente inalterável.
A algumas almas é dado o poder de prever o futuro, mas a eternidade é o
infinito, perdendo os pecadores a noção do tempo em que
permanecem mergulhados.
Dante precisa desta realidade para poder perder-se no Inferno, pois ela é o
fio de Ariadne que o trará de volta. Mais do que Virgílio,
que o amparará diversas vezes em perigo seu corpo vivo, Dante
recorrerá à memória de sua cidade natal. Vagas e
indistintas comparações trarão a atmosfera do mundo
vivo e impedirão, por todo o percurso do poeta, sua entrega à degeneração
da razão e à insanidade desta nova ordem. Sem esta lufada
de vida em meio à pestilência, sem poder encontrar-se com
conhecidos, Dante esqueceria o motivo pelo qual aventurou-se no abismo:
lembrar e escrever, criando um testamento moral que trouxesse, de maneira
inversa, o Inferno à superfície. Ao sacrificar sua memória,
condensaria a imagem da insanidade, mantendo o corpo a salvo. Ao rememorar
a superfície – mesmo em conflito, dando mostras da degeneração
dos costumes – o poeta traz as sensações de beatitude
e familiaridade decorrentes dos elementos de contemplação
descritos. Estes locais da memória, estas paisagens do mundo vivente
são figuras amplas, como projeções. A ligação
de Dante com a realidade da superfície mostra-se mais do que uma
mera evocação, prova de que a vida do corpo precisa de
lembranças vivas. A memória dos mortos os reduz ainda mais
a infinitude suas desgraças. A de Dante o conduz mais e mais para
o júbilo de estar vivo e vivendo, passando por cada cerchio e
deixando-o para trás como algo que deve ser esquecido enquanto
espaço, mas não como tempo. Assim, o inferno vivido passa
ordinariamente a ser uma lembrança, pois somente assim pode ser
encarado: sombra de si mesmo sem nunca ter existido, imagem que se imprime
sem nunca ter-se realmente configurado. Dante, poeta e peregrino, apresenta-nos
o Inferno visto somente na memória. Estando no Inferno sem nunca
ter ido, saindo dele sem nunca ter entrado, enuncia um duplo reflexo
sem origem: a palavra que é uma imagem.
A imagem evocada através da retórica da palavra é no
Inferno, forma de representação daquele espaço e
seus habitantes.
Quanto à Retórica e à Eloqüência,
escolhemos Quintiliano (Espanha, 42?-120 D.C.): “Conforme a maior, e melhor
parte dos autores cinco são as partes da Eloqüência,
a saber Invenção, Disposição, Elocução,
Memória e Pronunciação ou Ação, pois
tem um e outro nome. Com efeito, todo o discurso, que faz algum sentido
há de ter necessariamente duas coisas: Pensamentos e Palavras,
objetos aqueles da Invenção e estas da Elocução
(...) Pois não basta só sabermos o que havemos de dizer,
e de que modo, mas também em que lugar convém que se diga. É necessária
pois a disposição. Mas nem poderemos dizer todas as coisas
que a matéria pede, nem cada uma em seu lugar sem nos ajudar a
Memória (...) Todas estas partes porém se deitam a perder
pela Pronunciação má, ou no lugar ou no gesto”.
Ora, para conseguir esta virtude, na minha opinião, a maior da
Elocução, há um meio facílimo e é este:
Olhemos para a Natureza e Imitemo-la. Toda a Eloqüência tem
por objeto as ações da vida civil. Cada qual aplica a si
o que ouve, e a nossa alma concebe docilmente imagens daquilo de que
tem experiência. (grifo meu)” Quintiliano, 1944.
Descrições da temperatura, odor, movimento, velocidade,
luz e sombra, altitude e geografia se fundem aos elementos terrenos que
nos cercam e que são nossa referência de leitor. Ao iniciar
a leitura dos cerchi mais profundos, a dupla imagem torna-se imediata:
a leitura impressa na retina necessita de uma duplicação
do real, o leitor invocará sua paisagem mais desejada, adequada
ao oposto do que lê. A evocação pode ser sobreposta,
mas não anulada. Torna-se indispensável, pois precisa-se
da razão para continuar a peregrinação por um universo
desarrazoado. O Inferno mostra sua face mais sedutora quando cola-se
no universo denominado realidade para dele fazer a origem de suas imagens.
Este inferno do qual falo não estará mais no subterrâneo
se levarmos até ele as imagens que reconhecemos – subvertê-las-á em
seu benefício, o da sobrevivência na memória, pois
o Inferno é a morada da Fraude.
Ao pensar que pode escapar de sua sedução, as imagens coladas – agora,
realidade e imaginação – permanecem fundidas. Toda vez
que evocadas, uma ou outra, as duas existirão. Dante recorre de elementos
retóricos para a construção deste Inferno. A memória
do corpo é a dos olhos. O duplo caminho percorrido pelos olhos entre
a palavra impressa e sua correspondente imagem é o lugar do Inferno,
um espaço mensurável, mas comprimido. Como pretender escapar
da sedução do Inferno se dele também emana imagens familiares?
Como levitar acima desta tensão entre a imagem contida na palavra e
a existente na memória? Porém, eis a questão da memória:
está presente no diálogo do anjo com S. Paulo, no Apocalipse,
quando este pergunta ao santo se observou todas as coisas ou quando o anjo
pede a S. Paulo que guarde dentro dele o que viu. Observar, guardar, recordar,
memorizar passam a ser recursos que residem fora do poema, estão nas
imagens evocadas pela lembrança do leitor. A projeção
de um lugar para a memória existe externamente ao texto apócrifo
ou ao poema: é decorrente de imagens mentais de lugares memoráveis,
que têm no poema a descrição, mas que tem no leitor a revelação.
O ato de revelar, mostrar e secretar algo encoberto perpassa por um gesto,
do corpo ou do espírito. Caminhar, olhar para cima ou para baixo, recuar,
voltar-se, esconder-se. Linguagem corporal que ocorre de uma vontade, mas que
pode acontecer apenas na memória. A punição para quem
espia dentro do fosso do Inferno é o apagamento da memória: ela
deixará de existir, não será possível ao espírito
flagrado nesta atitude rememorar para daí, saber. O tempo no Inferno
está reduzido ao seu aspecto ontológico: como ele é em
si mesmo. O apagamento da memória impede as almas de entender o tempo
no seu aspecto psicológico, como o aprendemos.
Conhecimento e lembrança passam a não ter mais residência,
estando deslocados, sem lugar. O caminho de volta parece residir na impossibilidade
de saber, na suspeita de uma existência... a memória é física
quando pode ser extirpada, ela pretende um lugar que não é mais
desta natureza... a memória move-se, mas o lugar permanece.
* * *
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Aqui
encerro o Inferno, ou pelo menos uma parte da pesquisa que evidenciou
a memória, ars memoriam, como lugar de punição
do pecado da inteligência...
Gostaria de continuar minha provocação evocando uma imagem agente
que me foi apresentada quando em viagem de pesquisa ao Vêneto: Teatro
Olímpico de Vicenza. Quero iniciar assim com uma imagem para tenhamos
um cenário do mundo onde serão inicialmente anunciados os sinais
de um caminho investigativo.

Teatro Olímpico, Vicenza. Palladio/Scamozzi, 1585
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Do Teatro
Olímpico de Vicenza saltam dos nichos esculturas em
gesso e palha de gregos e romanos... junto às colunas cegas de
um programa palladiano, estão fixadas as figuras proeminentes
da sociedade de Vicenza, porém agora revigorados de uma origem
nobre, não mais tedesca.
Seguindo o programa visual, o mesmo teatro preserva o cenário da primeira
peça ali apresentada em 3 de março de 1585. Vicenzo Scamozzi
elabora complicada perspectiva para a construção das sete ruas
de Tebas do Édipo Rei. Assim didaticamente, de um ponto imaginário
da linha do horizonte da história, surge a didatização
da visualidade, impregnada do molde pedagogizante da perspectiva.
Desta
visão
na cidade de Vicenza, iniciei uma peregrinação por cidades
italianas onde observei a pedagogia visual através da arquitetura,
da pintura e da escultura. Iniciando minha pesquisa em 1997 no norte
da Itália e elencando autores como Cícero, Ripa e Dante,
busquei traçar um percurso para a representação
do corpo e suas alegorias e relação com a arte.
Em duas últimas viagens ao Sul da Itália, em 2003 à Sicília
e em 2004 à Sardegna, encontrei novas representações
da sociedade e de seu corpo, na Gruta dos Capuchinhos em Palermo, nos
mosaicos de Monrealle e mais recentemente nas imagens em cera fundida
realizadas por Clemente Sussini para o Curso de Medicina da Universidade
de Cagliari no início do século XIX.
Busco desenhar um rico assoalho investigativo, moldado nas representações
da sociedade através de seu corpo na ciência e na religiosidade
que, agregados aos estudos retóricos e a ars memoriam, chegam
a nós em forma de visualidade didatizante e repleta de significados,
presentes na educação e na organização
da universidade e do estudo superior.
O que estes lugares apresentam como emblemas de uma ordem visiva que,
ordenada pela Perspectiva, elabora um complexo discurso de convencimento.
Na alegoria de Cesare Ripa, “a Retórica,
bela senhora ricamente, com uma expressão
alegre, tem a mão direita elevada e aberta e na esquerda um livro
e um cetro, portando nas vestes esta frase escrita: Ornatus Persuasio.
Seus olhos são vermelhos e seus pés pisam sobre uma quimera.
Sua mão aberta é um aviso que o orador deve mantê-la
solta para que interprete e gesticule”.
O convencimento
e a persuasão são elementos encontrados
na Arquitetura representados pelos programas palladianos que concedem
espaço para as narrativas da escultura e da pintura. Na cidade
de Vicenza, o programa do teatro apresenta o desejo de uma cidade de
reinventar a origem de sua linguagem e de seu povo. O mesmo programa
está aberto em igrejas, palazzi e lugares onde o discurso visual
apenas descreve a imagem ou apenas enuncia a sua possibilidade.
A perspectiva projeta o espectador para fora da dimensão da pintura
ou da arquitetura. A representação do espaço restringe
o pensamento e abriga uma narração ideal, que cola-se a
um espaço reinventado. Santo Inácio de Loiola, São
Domingos e Santo Ambrósio elaboram tratados que aqui denominarei
de perversão visual, onde a imaginação (ou invenção
retórica) cria cenários para a tragédia humana,
no ensejo da purificação.
Neste caminho, encontrei as stanze delle mereviglie, os quartos ou armários
onde estariam abrigadas as imagens agentes, guiadas por um ideal estético-retórico.
Concentração de invenções, histórias,
alegorias, mitologia e alquimia, surgem como obra de arte total, elevação
de inteligência e trajetos para o espírito em mutação.
Nos quartos e armários estão as coleções
de objetos e artefatos cujas origens ligam-se a mirabilia e a oculta
história das culturas. Elaboradas como studioli, um quarto de
acesso particular de sentidos diversos, estão repletos de excentricidades
e imaginário, prenhe de complexas associações.
Entre tantas imagens que possuo atualmente destes quartos, escolhi esta
(veja a foto abaixo) como imagem agente, este armário que apresenta
um esqueleto a maneira fantasiosa de Vessalius em sue De Humani Corporis
Fabrica, que queda-se a meditar sobre uma coluna e um clepsidra. Este
Memmento mori elenca a vaidade, mas a representação do
corpo é a angústia do futuro (como age em nós o
Col Tempo, de Giorgione, na Galleria da Accademia di Venezia). Plenos
de conversações, os quartos de maravilhas originam os museus
de história natural quando maravilhas naturais e os museus e galerias
de arte quando o acervo contempla a escultura, pintura, ourivesaria,
gravura e outras artes.
Armário memento mori, Paul Richiel, Castelo de Ambras, sec XVI.
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É neste espaço da representação,
auxiliado pela invenção e didatizado pela perspectiva que
acontece a narração, a história que é contada.
Esta escritura banha-se na moral dos gestos e costumes, na fortuna literária
de alguns autores e nos aspectos pedagogizantes. Os quartos, gabinetes,
estúdios, armários, galerias e museus apresentam-se em
minha pesquisa como câmeras de projeção de uma memória
artificialis, de onde brotará o convencimento e a persuasão.
Que sociedade é esta que necessita de sedução narrativa
para configurar seu imaginário? Confesso que sinal já me
assombrava, mesmo antes de encontrar outros locais fantásticos
habitados pela representação corporificada da sociedade.
Na Gruta dos Capuchinhos de Palermo, testemunhei o arranjo de corpos
ressequidos e pequenos teatros sociais, onde os papéis de origem
ainda continuavam a ser desempenhados: uma família com uma mãe,
pai e filho natimorto permanecia fixada junto a uma parede calcificada,
desempenhando seu papel social e creditando o status de sua origem nas
vestes carcomidas, mas visíveis. O teatro do mundo ali cenografado
em seis quilômetros de cripta não ousa apresenta uma alegoria
de si, mas existe na angústia do futuro, novamente ele. O desamparo
de uma narração faz surgir em algum lugar o desejo de história, à guisa
de completude e voz. O mutismo eloqüente da sociedade descarnada
de Palermo eleva-se ruidosamente a níveis insuportáveis.
Didatizar o aparecimento das imagens pela ars memoriam, de Cícero:
“Aqueles que desejem re-evocar (reminisci), isto é, fazer
qualquer coisa mais espiritual ou intelectual que simplesmente recordar,
retirem-se da luz pública para uma obscura intimidade, pois, na
luz pública, as imagens das coisas sensíveis (sensibilia)
estão dispersas e seu movimento é confuso. Na obscuridade,
pelo contrário estão compactas e movem-se em ordem.” Alberto
Magno, De memória et Reminiscentia in Yeats.
A obscuridade,
os lugares e outros artifícios são recursos
retóricos caros aos museus e galerias, aos museus de história
natural e aos locais de exposição e mostras de arte. Entre
arcos e colunas de um programa visual situam-se as imagens que se pretendem
imagens agentes, em busca de uma nova história para sua existência.
Desta forma, a Retórica e suas Pinturas, aliada a ars memoriam,
a perspectiva e aos programas visuais elaborou complexo percurso discursivo,
que acabou por dispensar a própria imagem, purificando-se na intelecção
e na narrativa condescendente. O objeto da arte contemporânea é seu
próprio discurso, tecido na purificação e projetado
pela perspectiva excludente, projetado na câmera da memória
da existência.
Bibliografia:
ALMEIDA, Milton José de. Cinema: arte da memória. São
Paulo: Autores Associados, 1999.
ALIGHIERI, Dante. Divina Commedia. Introduzione di Italo Borzi, commento
a cura di Giovanni Fallani e Silvio Zennaro. Milano: Biblioteca Economica
Newton, 1996
ALPERS, Svetlana. A Arte de Descrever. São Paulo: Edusp, 1999.
BLOOM, Harold. A angústia da Influência: uma teoria da poesia.
São Paulo: Imago Editora.
QUINTILIANO. Instituições Oratórias. São
Paulo: Edições Cultura, 1944. Segundo Volume.
RIPA, Cesare. Iconologia. Milano: TEA, 1992.
SANTO AGOSTINHO. Confissões. São Paulo: Paulus 1997.
________. O Livre Arbítrio. São Paulo: Paulus, 1995.
RIGON, Fernando. Il Teatro Olímpico di Vicenza. Milano: Electa
Arte Guida, 1995.
Maria
do Céu Diel de Oliveira
Professora do Departamento de Desenho da Escola de Belas Artes da UFMG. Professora
do Programa de Mestrado em Artes Visuais da UFMG. Líder de grupo de
Pesquisa sobre o Desenho e a Palavra. Pesquisadora do OLHO - Laboratório
de Estudos Audiovisuais da FE - UNICAMP. Gravadora e desenhista.
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